Beneficiários do Corra para o Abraço lançam CD com músicas autorais

“Outros Caminhos São Possíveis”! Esse é o objetivo e nome do álbum musical organizado pelo Programa Corra pro Abraço, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), e que será lançado às 17h, da próxima terça-feira (18), na sala Walter da Silveira, na Biblioteca Pública, nos Barris, capital baiana. As canções foram escritas pelos próprios beneficiários do “Corra”, ao longo dos seus cinco anos de existência, durante as oficinas de arte-educação e redução de danos.

 

O álbum tem como protagonistas os assistidos pelo serviço: pessoas que fazem uso abusivo de drogas em contextos de vulnerabilidade, ou afetadas por problemas relacionados a criminalização das drogas, tais como a população em situação de rua e jovens que residem e transitam em territórios com altos índices de violência. O CD, gravado em abril nos estúdios do bloco afro Ilê Aiyê, surgiu da necessidade de dar visibilidade às composições destes artistas, participantes do programa, que se encontram em contextos de vulnerabilidade.

“A partir das oficinas de música e teatro, eles e elas começaram a produzir letras e arranjos e constatamos que seria importante preservar essa memória. As letras das oito canções trazem mensagens que são muito relevantes: ‘o futuro está em nós’, ‘sou ser humano, com direito, alma e coração’, ‘moro na rua, mas sou cidadão, trabalho todo dia para ganhar um pão’. Nos mostram os desafios enfrentados por cada uma dessas pessoas, que estão nas ruas”, destaca Tricia Calmon, coordenadora Geral do Corra pro Abraço.

Os 20 artistas se dividiram nas tarefas de compositores, percussionistas e cantores. Entre as faixas estão: “Maloqueiro Não”, “Sou a rua”, “Um gesto de amor”, “Meio da rua”, “Canto a vida”, “Tributo a Salvador”, “Vacilão”. “As letras apresentam as percepções destas pessoas sobre seus cotidianos. Essa ação se caracteriza como uma estratégia de redução de danos por possibilitar aos beneficiários que utilizarem seu tempo para a construção de coisas criativas e positivas, como a música. São talentos investidos e respeitados, a partir de suas vivências”, destaca Emanuelle Silva, diretora de Prevenção e Redução de Riscos e Danos da Superintendência de Políticas sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis, da SJDHDS.

“Nunca imaginei gravar um CD. Músicas que contam a realidade da favela mesmo”, conta Lidineia Oliveira, 36, vendedora de picolé e percussionista. Cledson Braga dos Santos, 42 anos, compositor da faixa “Dom Musical”, acredita que essa é uma “oportunidade também de contar a ação feita no programa” e os impactos e transformações em suas vidas. Ambos são assistidos pelo serviço da SJDHDS que realizou nos últimos dois anos, durante execução da oscip COMVIDA (Comunidade Cidadania e Vida), mais de 45 mil atendimentos a pessoas usuárias de substâncias psicoativas e jovens em contextos de vulnerabilidade em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana.